O juiz de futebol é um personagem ímpar no cenário esportivo. A sua presença é obrigatória em qualquer jogo. Até mesmo numa simples “pelada” de fim de semana, a falta de um juiz atrapalha a brincadeira, pois ninguém confia nas decisões de várias pessoas nas marcações de faltas ou dúvidas nas jogadas de gols. Mas, ás vezes o juiz que serve para colocar ordem no jogo, contendo os ímpetos de jogadores aplicando as regras do esporte, pode se transformar num fator de desavença. Na opinião do povo, um bom juiz é aquele que passa despercebido durante o jogo, sendo bem diferente do jogador, que faz de tudo para ser destacar no espetáculo.
Para mostrar a difícil vida dos árbitros, conversamos com Kleber José de Melo, um juiz de futebol experiente que revela detalhes sobre a dificuldade de ser um grande árbitro e toda a sua paixão pelo o que faz. Kleber confessa que sempre teve paixão pelo futebol, mas que entrou nesta profissão quase por acaso, “digamos que foi uma situação quase natural. Sempre tive um interesse muito próprio com o futebol, costumo dizer que era eu quem organizava o timinho da rua quando garoto, ajudei a organizar o time do colégio para os intercalasses, na faculdade convencia os colegas de sala para o futebol contra outros cursos, hoje na empresa, acabo sendo a pessoa que fica responsável por qualquer manifestação que envolva uma brincadeira de futebol entre colegas de trabalho”. Melo cita ainda que foi através dessas brincadeiras que ele acabou sendo descoberto, por pessoas ligadas à Federação Paulista de Futebol (FPF). E por meio deles o que era apenas um hobby tornou-se uma profissão, “fui atentado para o fato de existir um curso para árbitros profissionais quando, numa oportunidade num jogo de várzea, por ter chegado atrasado, fui incumbido de apitar o 1º tempo para poder jogar no segundo. No time adversário haviam dois funcionários do departamento administrativo da FPF, eles perceberam um tratamento diferenciado enquanto eu apitava, ao final da partida me perguntaram se eu já era árbitro. Eu nunca sequer tinha imaginado ser, porém eles me despertaram a curiosidade para o fato, então me sinalizaram as referências e daí fui até o fim. Os detalhes deixariam a resposta um livro… risos”
Ser um profissional de destaque nesta área é sem dúvida um grande desafio, pois exercer sua função sendo alvo de muitas críticas e ofensas a todo momento requer muito “jogo de cintura” e equilíbrio emocional. Para Melo, o segredo para ser um bom árbitro é: “…em primeiro lugar gostar muito de futebol. Em seguida não ter vaidades afloradas na expectativa de ser um astro. Digo isto, pois o árbitro não é a personalidade principal do jogo, a torcida compra ingresso, vai ao estádio, paga e aplaudem jogadores e seus devidos times, o árbitro é sempre considerado o algoz das frustrações e derrotas. Então resta ao profissional desta função, dedicar-se ao máximo a suas incumbências, saber que a regra deve ser aplicada por igual em qualquer divisão…”. Foi com toda essa determinação e muito trabalho que Kleber hoje faz parte de um grupo seleto de 30 árbitros que atuam na vitrine do futebol brasileiro, o Campeonato Paulista de Futebol. Atuar no futebol paulista é com certeza o caminho mais curto para vôos mais altos, as chances de se tornar um árbitro do quadro nacional e até internacional são bem maiores.
Nosso bate-papo com Kleber vai mais à fundo na questão do futebol, resolvemos falar agora da Copa do Mundo de 2014, que será realizada aqui em nosso país, que é considerado o país do futebol, o atual e único Pentacampeão Mundial, um verdadeiro produtor de craques. Mesmo com todos esses atributos já faz mais de 58 anos que o país não sedia o maior espetáculo do Planeta, porém essa sina esta preste à acabar. Essa decisão gerou polêmica e discussão por se tratar de um país subdesenvolvido com escassez dos princípios básicos da dignidade humana, considerando que a desigualdade social prevalece. Mas para os fãs de esporte essa informação foi muito bem recebida, porém com apenas uma preocupação: Será que os nossos estádios tem as condições de segurança necessária para um evento deste porte? Ninguém melhor para responder do que alguém como Melo que convive diariamente nestes espaços. “Uma Copa do Mundo faz um país avançar 40 anos em quatro. Revelo uma curiosidade. Circula um comentário que, o comitê de avaliação da FIFA, só reconheceu um estádio brasileiro que tem preparação para sediar uma copa, e pasmem, é o estádio do Barueri-SP. Nem Maracanã, nem Morumbi conseguiram a aprovação em todos os quesitos. É claro que com todos os ajustes exigidos pela FIFA serão atendidos e ambos os estádios poderão sediar jogos da copa, mas terão que passar por muitos investimentos”. Kleber afirma ainda que o fator extra-campo preocupa muito a entidade maior do futebol mundial (FIFA), “… vocês conseguem lembrar como ficam as imediações dos estádios do Brasil em dias de jogos? A parte boa de sediar uma copa, é perceber como o dinheiro público aparece rápido para ajustar as exigências internacionais. Aí, neste momento, tem reflexos no transporte público, na saúde pública, na segurança pública, no treinamento dos funcionários públicos… não é? Torço muito para que consigamos sediar esta copa. Eu, você, meu filho, seus familiares e todos os cidadãos brasileiros seremos muito beneficiados se acontecer”, alega o árbitro.
Que o futebol é a paixão de muita gente, isso nós já sabemos, mas a verdade é que existe muito mais além do campo, existem profissionais que suam a camisa literalmente para fazer um bom trabalho e abrilhantam cada vez mais o esporte. Pessoas que carregam na mente e no coração a paixão pela profissão, vestem a camisa e se procuram em dar o melhor de si, mesmo que seja discretamente. Acima de tudo são pessoas que merecem nosso respeito e dividem uma mesma paixão, o ESPORTE.
Por Daiana Henrique / João Paulo Arifa

Escrito por jonnyedaiesportes
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